Domingo, Março 13, 2005

FDL....

Há momentos que persistem no tempo, momentos que por serem tão especiais ficam guardados num lugar reservado apenas aos grandes feitos, momentos que de uma forma ou de outra são eternizados.
Esta semana FDL teve um desses momentos.Estou certa que durante muito tempo este momento ficará connosco e porquê?Porque nos unimos todos em torno de uma causa que para nós era importante o suficiente para merecer noites ao relento e outros sacrifícios semelhantes.Causa essa que se traduziu numa vitória, numa cedência que foi mais que justa.
É com um orgulho diferente que agora entro naquela casa que agora é um pouco mais minha.
De uma forma ou de outra honrámos a nossa academia, a memória de tantos que como nós lutaram pelo que consideravam justo, a memória daquelas figuras que todos os dias nos olham ao sair da faculdade depois de mais um dia.
Finalmente dissemos basta a tantas e tantas humilhações que todos os dias tínhamos de suportar, desde a duvidosa discricionaridade na atribuição de notas até às lições de prepotência que não nos estimulam a sermos melhores, que exultam a mediania.
Tudo isto é ainda muito recente mas tenho a certeza que para além de vermos os nossos pedidos satisfeitos(quer dizer...a bem da verdade eram mais exigências mas assim fica mais bonitinho) conseguimos ainda uma tremenda aula prática. lições que só no futuro saberemos quais são.

Segunda-feira, Fevereiro 21, 2005

A saudade em mim existe

A saudade em mim existe.
Faz-me divagar pelo que vivi e não volta.
Deixa-me um doce sabor a passado no peito.
E um agradável perfume a recordação nos cabelos.
O vento sopra devagarinho,
Como um sussurro que trás até mim
Aquilo que me faz sorrir.
O passado é real.
Passou e ficou lá atrás.
A saudade é minha e de todos
Os que partilharam alguma coisa comigo.
Tu és especial.
Tu também.
E não me esqueci de ti.
Tu, e tu, e tu, e ainda tu,
São as memórias que guardo dentro do peito.
Os momentos são memórias.
Os risos e as conversas
São as doces melodias que compõem
A banda sonora das minhas saudades.
Porque a saudade é real,
E não precisa de doer.

Sábado, Fevereiro 19, 2005

Adoro esta frase...faz parte da obra de Sophia de Mello Breyner e deixo-a aqui para que também possam disfrutar dela.Num blog subordinado às saudades nada melhor que uma frase que fala da continuidade, de como certas coisas perduram no tempo.
« E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente.Apenas nos iludimos julgando ser donos das coisas dos instantes e dos outros.Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos o dias felizes que se apagaram.Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre....»

Quarta-feira, Fevereiro 16, 2005

excluída....

excluída de onde e porquê?já tinha sido admitida nalgum lado? a FDL precisa urgentemente de rever os termos que utiliza oficialmente. E tenho dito!

Para a Ana

A primeira música do Lado quente da Saudade é para a Ana... Porque ela está triste...
Agora é tempo de olhar em frente... Como te disse, vais ver que tudo vai correr melhor...
Beijo grande,
Maria

Segunda-feira, Fevereiro 14, 2005

saudades...

saudades...tenho saudades da minha cidade refúgio, da cidade onde me sinto bem por muito mal que a minha vida esteja.Tenho saudades da cidade que me recebe sempre de braços abertos e à qual é sempre um prazer voltar...tenho saudades das manhãs no palácio de cristal; da simpatia de toda a gente na rua, nas lojas, em todo o lado...tenho saudades de acordar e ver a foz e aquele rio como não há outro.Tenho saudades da sensação cada vez que ouço a menina do alfa anunciar que estamos quase a chegar e da alegria ao sair do comboio.tenho saudades de gostar que chova porque isso vai emprestar uma magia diferente à cidade.tenho saudades de ouvir a pronúncia tão diferente da minha mas à qual atribuo tantos significados.tenho saudades da rua d s. catarina e até da torre dos clérigos (apesar das vertigens que sinto cada vez que a subo). Um dia alguém me disse baixinho e com o sotaque de uma cidade que dista apenas 50kms desta que eu amo (hum....que difícil será adivinhar.....) que nunca me ía deixar cair porque me me ía segurar- para mim o Porto é a cidade que nunca me vai deixar cair e mesmo que o faça vai estar lá para me segurar.

Quinta-feira, Fevereiro 10, 2005

que maravilhosa oportunidade....

Devo confessar que ontem quando descobri que tenho de ir à oral de passagem de fiscal não fiquei lá muito contente.Ainda fiquei menos contente hoje quando vi a nota na pauta e me apercebi de quão vergonhosa ela é (e não me interessa se pelos padrões fdlianos seja apenas uma nota média).
Depois de me permitir uns bons e largos minutos a sentir-me a pessoa mais incapacitada do mundo e a reponderar se será mesmo este o curso que quero percebi que estava como o síndrome de Julho-esse maravilhoso mês do ano em que quero desistir do curso, em que sou mais ou menos como os maridos que não traem mas estão lá perto: apesar de adorar Direito começo a pensar que o melhor teria sido enveredar por Relações Internacionais e que se não fosse a maldita miopia e o famigerado astigamatismo estava com certeza no ramo da aeronáutica-comercial ou militar.
Então decidi que já chegava de vitimização e que se a vida me dá limões é melhor fazer limonada. A verdade é que eu até gosto de fazer orais, ah pois é! Pelo convívio, pela solidariedade que se gera entre nós e que nunca ninguém vai perceber, porque comprei o fato para alguma coisa e porque no final se a coisa correr bem temos a melhor sensação de todas:a sensação de dever cumprido.
Quando a porta finalmente se abre e eles dizem a nota que nós queremos ouvir ou até uma nota mais alta....é quase impossível descrever...
Sei por experiência própria que por vezes mais vale ir lá, sofrer o que temos a sofrer e sair com uma nota melhor do que a que seria possível se ficássemos em casa.
Por isso o meu desejo para todos é que se tiverem mesmo de vestir o fato tirem o melhor proveito disso.

"Adeus Português"


"Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz dos ombros pura e a sombra
duma angústia já purificada

Não tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor

Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver

Não podias ficar nesta casa comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual

Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal

Mas tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser

Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal

Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti"

(Alexandre O'neill)

Terça-feira, Fevereiro 08, 2005

Amigos

Muitas foram as vezes que li e ouvi que “a amizade é a mais bela forma de amor”! E muitas foram as vezes que reflecti sobre o verdadeiro significado daquelas palavras. Sempre gostei de me rodear de muitas pessoas. No liceu fazia parte de um grupo grande, e na faculdade também tenho conhecido bastante gente. Mas amigos sempre foram muito poucos. Nunca gostei de utilizar a palavra “amigo” em vão. Sempre teve um significado especial. Como diz a Ana: “os amigos são a família que escolhemos”! E como para mim a família é muito importante, dá para perceber bem em que nível os coloco. Os meus amigos vivem dentro do meu coração. E alguns, apesar de longe, conseguem conhecer-me tão bem como aqueles que convivem comigo diariamente.
Foi nos momentos menos bons que percebi quem eram os meus verdadeiros amigos. Naqueles momentos em que acreditei que nada mais fazia sentido, eles não permitiram que eu me sentisse sozinha. É para eles que hoje escrevo, porque os meus amigos são, sem dúvida alguma, a família que eu escolhi. Uma delas já vem a caminho para partilhar este espaço comigo. Vamos ver se mais alguém se junta a nós.